Resenhas: Estrelas Além do Tempo, Jackie, Até o Último Homem, Lion

A maratona Oscar 2017 está terminando por aqui. Confira as resenhas dos últimos filmes indicados que nós vimos nos últimos meses!

 

Estrelas Além do Tempo

Sabe aqueles filmes de Sessão da Tarde? Pois é, Estrelas Além do Tempo lembra muito eles. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário. A adaptação é uma história cativante sobre três mulheres negras que fizeram história na NASA, mas nunca haviam sido lembradas nos cinemas até 2016. Ver e rever esse conto jamais será cansativo.

Além de relatar o que elas fizeram – muitas outras trabalharam junto com elas, mas não foi possível reconhecê-las todas em um filme só, por isso o foco em três -, o filme destaca o racismo e machismo presentes na época e os desafios que as personagens enfrentaram para serem notadas e reconhecidas. Pra quem não passou nem perto de viver num período daqueles, é chocante ver como os negros sofreram por causa da cor de sua pele e o roteiro mostra isso em cenas no ônibus, diálogos preconceituosos e banheiro e computadores específicos para negros.

Ou seja, mais que contar a história vencedora de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Mary Jackson (Janelle Monáe) e Dorothy Vaughan (Octavia Spencer), a produção nos conscientiza sobre o assunto. Por mais que estejamos em 2017, o racismo ainda existe e o machismo também. Vendo histórias como essa, as pessoas percebem cada vez mais que não existe razão pro mundo ainda ser dominado por homens brancos e que a luta para a igualdade acontecer ainda precisa ser vencida; igualdade entre negros e brancos e mulheres e homens.

 

Jackie

A primeira vez que vi uma cena de Jackie, antes da estreia, não entendi o porquê de terem gostado da atuação de Natalie Portman; a voz dela estava terrível, como que isso foi bem recebido? Porém, depois que vi algumas matérias reais sobre Kennedy, percebi que a atriz havia aprendido perfeitamente os maneirismos da ex-primeira dama e mereceu todo o reconhecimento na temporada de premiações.

Da maneira geral, é uma adaptação que foca na personagem principal o tempo todo e como foram seus momentos na Casa Branca antes, durante e depois do assassinato do marido, John F. Kennedy. Vemos os bastidores dos programas gravados após a posse de JFK, os filhos, a definição do novo presidente, entre outras situações, a maior parte delas cenas extremamente dramáticas. Tudo com um olhar sobre Jackie, mulher complexa, misteriosa, com uma personalidade forte e até um pouco engraçada.

Pablo Larraín apresenta um filme que é, acima de tudo, de performance. Portman carrega o drama nas costas do início ao fim.

 

Até o Último Homem

Histórias de guerra são praticamente impossíveis de acabar. Os estúdios podem tanto usar o conflito como pano de fundo para histórias originais quanto adaptar fatos reais para a telona. Mel Gibson escolheu a última opção.

Como todo filme bom do gênero, o diretor nos cativa com a história comovente de Desmond Doss (Andrew Garfield) e as eletrizantes cenas de ação. Não temos aqui uma jornada longa como a do soldado Ryan, mas um grupo de soldados americanos que tem como objetivo tomar um território japonês, no Japão. Só que temos algo ainda mais especial: o protagonista não toca em armas, ele trabalha para salvar vidas.

Tirando algumas cenas melosas inicia sque não acrescentam quase nada à produção, Hacksaw Ridge nos toca de vez quando o jovem rapaz começa suas atividades intensas no Exército, onde enfrenta bastante preconceito por causa de suas convicções. A partir do momento em que aterrizamos em solo asiático, sua bondade, esperança, lealdade e atenção ao próximo nos comove e nos prende até a última cena. E isso tudo não só diante de colegas do Exército, mas até mesmo inimigos.

 

Lion

Lion é daqueles filmes bonitinhos que têm uma criança simpática como protagonista e uma história de dor, sofrimento e superação para envolver a plateia. A receita perfeita para agradar e fazer sucesso nas bilheterias.

Não deixa de ser um belíssimo filme, é claro. É um crowd-pleaser visualmente bem feito, com um elenco de alto nível e duas performances que, sem dúvida, contribuem para nossa conexão com o que aconteceu na vida real de Saroo Brierley: Sunny Pawar e Dev Patel. Ambos se completam no decorrer do drama, apesar da primeira fase ser mais, digamos, leve em relação a outra, que traz um Saroo mais destruído psicologicamente; as chances de você gostar mais de Pawar são maiores porque ele traz toda a inocência e fofura da criança.

A metade inicial do roteiro acaba se prolongando demais e pode cansar um pouco, mas quando acompanhamos Saroo adulto e tudo que ele passa até finalmente encontrar a família, é muito difícil não se emocionar.

 

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *